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2025-09-02 03:39:55 UTC

Leitura Aleatória 2.0 on Nostr: Fiz o estudo de hoje, lembrando que com base do Programa A força de Deus, e procuro ...

Fiz o estudo de hoje, lembrando que com base do Programa A força de Deus, e procuro organizar os assuntos, sem mudar a essência do programa.

📜 Como Foram Escolhidos os Livros da Bíblia? Os Critérios de Canonicidade da Sagrada Escritura

A Bíblia, como a conhecemos hoje, é fruto de um longo processo de discernimento espiritual e eclesial. Mas afinal, quem escolheu os livros que a compõem? E com base em que critérios?


🕊️ A Igreja no Tempo dos Apóstolos

Nos primeiros anos da Igreja, a preocupação não era reunir os textos sagrados em um único volume, mas viver e transmitir a fé. A liturgia consistia em:

  • Leitura de textos do Antigo Testamento
  • Canto dos Salmos
  • Pregação dos Apóstolos e suas cartas

Os Evangelhos foram escritos posteriormente por Mateus e João (Apóstolos) e Marcos e Lucas (discípulos de Pedro e Paulo, respectivamente), movidos pela necessidade de registrar a vida e os ensinamentos de Jesus.


✍️ A Dinâmica da Formação dos Escritos

A formação do cânon bíblico seguiu uma lógica espiritual e comunitária:

1. Consenso dos Apóstolos 2. Consenso dos discípulos dos Apóstolos

Muitos textos foram escritos sobre Jesus, mas nem todos foram reconhecidos como inspirados.

Os chamados livros apócrifos — como o “Evangelho segundo Tomé” — continham elementos lendários e místicos, sem respaldo apostólico ou doutrinário.

Como ensina o Bispo José Falcão no programa A Força de Deus no canal Rede Século 21, esses textos não estavam em consonância com a pregação dos Apóstolos.


🏛️ Os Concílios e a Definição do Cânon

O primeiro Concílio Ecumênico foi realizado em Niceia, no ano 325, convocado pelo Imperador Constantino após sua conversão. Embora não tenha definido o cânon bíblico, esse concílio marca o início da liberdade religiosa e da organização doutrinária da Igreja.

A definição dos livros canônicos foi amadurecida ao longo dos séculos, com destaque para:

  • Concílio de Roma (382)
  • Concílio de Hipona (393)
  • Concílio de Cartago (397)
  • Concílio de Trento (1546) — reafirmou os livros deuterocanônicos como parte da Bíblia Católica

📚 Os Livros Deuterocanônicos

São sete livros do Antigo Testamento que foram reconhecidos como inspirados pela Igreja, mas rejeitados por Lutero:

  • Tobias
  • Judite
  • Sabedoria
  • Eclesiástico (Sirácida)
  • Baruque
  • 1 Macabeus
  • 2 Macabeus

Além disso, houve discussões sobre livros do Novo Testamento, como Apocalipse e Terceira Carta de João, especialmente por causa de interpretações equivocadas como o milenarismo (heresia da época) ou por ignorância devido a Carta de João ser pequena, não levando em conta que São João foi discípulo ocular da vida de Jesus, e tem autoridade para que suas obras sejam consideradas canônicas.


✒️ O Reconhecimento das Cartas de Paulo

Mesmo na Igreja Primitiva, houve resistência à autoridade de São Paulo, especialmente por parte dos judeus convertidos. No entanto, São Pedro, o primeiro Papa, reconheceu suas cartas como Escritura:

Considerem a paciência de Deus para conosco tem em vista a nossa salvação conforme escreveu para vocês o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada. Em todas suas cartas ele fala disso. É verdade que nelas há alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes distorcem como fazem com as demais Escrituras para a sua própria perdição. Assim, queridos irmãos, avisados como estão, tomem cuidado para que esses ímpios não se enganem, arrastando-as para que vocês percam a firmeza e caiam 2 Pedro 3,15-17

Esse testemunho confirma que os próprios Apóstolos reconheciam a inspiração das cartas paulinas.


🧠 Santo Agostinho e os Critérios de Canonicidade

Em sua obra A Doutrina Cristã (Livro 2, cap. 8, §12), Santo Agostinho propõe critérios claros para discernir os livros inspirados:

  • Autoridade das igrejas católicas: especialmente aquelas fundadas pelos Apóstolos
  • Aceitação universal: livros aceitos por todas as igrejas têm prioridade
  • Importância e número das igrejas: livros aceitos por igrejas numerosas e influentes têm mais peso
  • Equilíbrio prudente: quando há divergência, atribuir autoridade proporcional

“Os livros que são aceitos por todas as igrejas católicas se anteponham aos que não são aceitos por algumas.”
(Doutrina Cristã, 2,8,12)


🔍 Conclusão: Um Cânon Guiado pelo Espírito

A formação da Bíblia não foi fruto de interesses humanos, mas de um discernimento espiritual guiado pelo Espírito Santo, vivido pela Igreja e confirmado pelos concílios. A Bíblia é, portanto, Palavra de Deus confiada à Igreja, que a reconheceu, preservou e transmitiu com fidelidade.

“Eu não acreditaria no Evangelho, se não fosse pela autoridade da Igreja Católica.”
— Santo Agostinho