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naddr1qv…9qnlFundo 'anti-armamento' de Trump gera controvérsia e oposição republicana O fundo de US$ 1,8 bilhão criado por Donald Trump para compensar supostas vítimas de “armamentização” do governo virou o novo epicentro da guerra civil republicana — e um teste explosivo sobre até onde um presidente pode ir para recompensar aliados com dinheiro público.
Como o plano saiu da gaveta
A ideia não nasceu no governo, mas na campanha de 2024: assessores de Trump já discutiam um fundo para indenizar aliados “perseguidos”, mas não tinham de onde tirar o dinheiro até esbarrarem no processo de US$ 10 bilhões contra o IRS. O acordo desse caso ressuscitou o projeto: quase US$ 1,8 bilhão do Judgment Fund, um cofre de indenizações do Tesouro, seriam redirecionados para uma iniciativa inédita que poderia “canalizar” recursos do contribuinte para amigos e apoiadores de Trump, com critérios amplos e pouca transparência.
O Departamento de Justiça formalizou então o chamado fundo “anti-armamentização”, ligado ao acordo entre Trump, sua família, a Trump Organization e o próprio governo federal.
Rebelião no Capitólio
No Congresso, a recepção foi glacial. A CNN descreveu que “defensores do fundo ‘anti-armamento’ de Trump são poucos. E estão lutando”, enquanto senadores republicanos classificaram a ideia como “stupid on stilts” e avaliaram impor limites ao mecanismo — um “repúdio notável” ao próprio presidente do partido. A revolta foi tamanha que os planos republicanos para aprovar um grande pacote de repressão à imigração foram descarrilados, com parlamentares abandonando Washington para o recesso sem acordo.
O atrito expôs um ponto de ruptura: estrategistas republicanos alertam que Trump está “enfraquecendo suas chances em novembro” ao priorizar projetos de retaliação pessoal em vez de agenda econômica, num momento descrito como “Nero tocando violino enquanto Roma queima”.
Quem quer o dinheiro — e quem manda no cofre
Do lado dos potenciais beneficiários, o recado foi rápido. Brandon Fellows, que passou três anos preso por suas ações no 6 de janeiro, já havia pedido US$ 30 milhões ao Departamento de Justiça e agora se diz confiante diante do novo fundo. Paralelamente, conservadores como Michael Caputo, que alega ter sido arruinado pelas investigações sobre a Rússia, celebram o programa como reparação justa pela “weaponization” do Estado contra trumpistas.
Críticos veem justamente aí o problema: a estrutura foi desenhada para dar “grande latitude” ao DOJ de Trump para distribuir os US$ 1,776 bilhão, com baixa prestação de contas e ampla margem para pagar até condenados por crimes no 6 de janeiro, inclusive agressores de policiais, desde que considerados maltratados por administrações anteriores. O fundo será gerido por cinco comissários escolhidos pelo procurador-geral interino Todd Blanche — ex-advogado pessoal de Trump — que podem ser demitidos pelo presidente sem justificativa, e com relatórios confidenciais.
Processo atrás de processo
A ofensiva política rapidamente virou ofensiva judicial. Primeiro, policiais atuais e aposentados que defenderam o Capitólio no 6 de janeiro processaram o governo para bloquear o fundo, alegando que ele poderia subsidiar participantes do ataque e até organizações paramilitares — algo que consideram ilegal. Em seguida, uma segunda ação foi apresentada por um grupo diverso que inclui um ex-procurador federal de casos do 6 de janeiro, um professor absolvido após protestos, a cidade de New Haven, a National Abortion Federation e a Common Cause, que acusam o arranjo de ser inconstitucional e violar múltiplas leis federais.
Para o ex-advogado da Casa Branca de Trump Ty Cobb, o esquema é nada menos que “uma conspiração criminosa”, e Blanche teria “vendido sua alma” para agradar ao presidente. Até republicanos como o deputado Brian Fitzpatrick prometeram barrar o fundo, tornando-se os primeiros em seu partido a rejeitá‑lo publicamente e a jurar que vão enterrá‑lo no Legislativo.
A contra-narrativa trumpista
O governo, porém, tenta emoldurar o programa como correção histórica. Na Fox News, o articulista David Marcus descreve o fundo como compensação necessária para vítimas da “weaponization” do governo federal, citando casos como o de Michael Caputo, cuja família teria sido “esmagada por honorários legais, audiências constantes e danos reputacionais” durante investigações sobre a Rússia, enquanto ele enfrentava um câncer e até ameaças de morte. Na visão trumpista, democratas só se escandalizam porque, desta vez, o dinheiro iria para republicanos, não para outros grupos historicamente indenizados.
Ainda assim, a defesa oficial do plano soa tímida até dentro do governo: mesmo os poucos aliados que se arriscam a defendê‑lo parecem, segundo a CNN, mais confortáveis em falar do “conceito” de um acerto do que dos termos concretos — amplos, opacos e politicamente tóxicos — deste acordo específico.
Enquanto isso, fora da bolha trumpista, vozes críticas ganham megafone cultural. O comediante Jon Stewart detonou o fundo de quase US$ 1,8 bilhão como um gigantesco “fundo de manobra” para batalhas legais de aliados, mais um “troll de f***-you” contra os contribuintes, na leitura do apresentador.
Clímax: Trump contra o próprio partido
À medida que o furacão político cresceu, o relacionamento de Trump com senadores republicanos chegou a um “novo ponto baixo”. Revoltados, auxiliares no Capitólio veem o fundo como “mais um erro desastroso da Casa Branca” que pode custar a maioria no Senado. Todos os 53 senadores republicanos estariam “não felizes” com o presidente, segundo um assessor — uma rara frente unificada, desta vez contra o próprio líder do partido.
Mesmo assim, a Casa Branca não dá sinais de recuo. O recado implícito: o fundo não é bug, é feature — parte de uma agenda de acerto de contas e recompensa a leais que, para Trump, vale mais do que qualquer incômodo institucional ou rebelião intrapartidária.
original: https://fox-vector.syndichain.com/stories/019e7348-d469-3991-7187-0ff615696e1e
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