Com a desclassificação da denúncia, a juíza deu o perdão. Elizabeth afirmou que Monique sofreu “misoginia declarada” ao longo do processo. “Não posso me furtar a expressar meu pasmo diante da reação desproporcional e desmesurada da sociedade em geral, claramente discriminatória de gênero”, criticou.
A decisão converge com a defesa da professora, que alegou que ela foi vítima de um relacionamento abusivo e sofreu agressões e coação do ex-vereador. Na concepção da juíza, Monique recebeu um tratamento diferente do pai de Henry, Leniel Borel, por ser mulher. “Fosse o pai, e não a mãe, na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado. O papel culturalmente reservado à mulher nos moldes patriarcais não só dela exige ser mãe, mas muito além: a mãe perfeita. Mãe suficiente não basta”, afirmou a magistrada durante a leitura da decisão.
Ouvido como testemunha no julgamento, Leniel chegou a ser questionado sobre os motivos que o levaram a entregar Henry para a mãe, no dia 7 de março de 2021, noite em que ele morreu, mesmo após apelos da criança para não dormir no apartamento com Jairinho. Ele afirmou que não queria descumprir o acordo de guarda compartilhada da criança. Em diversos momentos do júri popular, a defesa de Monique sustentou que, se ela respondeu pro omissão, o pai também deveria ter sido denunciado.

